Tempo
de Trânsito Colônico (TTC)
Consiste
em um exame funcional para medir o tempo de funcionamento
do intestino grosso, ou seja, a duração da passagem do bolo
alimentar do momento em que atinge o intestino grosso até
a sua eliminação.
Na
Clínica do Aparelho Digestivo utilizamos cápsulas SITZMARKS
originais, importadas. Essas cápsulas contêm 24 pequenos
anéis confeccionadas com um material que é detectado nas
radiografias e que não é absorvido pelo intestino.
Como
os anéis possuem a mesma densidade das fezes, possibilitam
um deslocamento na mesma velocidade destas. Através de radiografias
do abdômen, realizadas após 24, 72 e 120 horas da ingestão
da cápsula, é possível ver o padrão de distribuição destes
anéis no intestino grosso, possibilitando estimar a velocidade
da passagem das fezes pelo intestino grosso (trânsito colônico)
e detectar o tipo de constipação que o paciente apresenta,
o que em alguns casos é fundamental para o planejamento
do tratamento.
Conforme
o Dr. Fábio Alves Soares - médico coloproctologista e cirurgião
geral da Clínica do Aparelho Digestivo - as condições mais
comumente diagnosticadas por este exame são a constipação
colônica ou cólica, que é a relacionada ao funcionamento
do intestino grosso e onde o tempo de trânsito é superior
à média, fazendo com que a velocidade de deslocamento das
fezes no intestino grosso seja mais lenta do que o normal.
Já
a constipação retal ou disquésica, consiste na a dificuldade
em evacuar, demonstrada no exame como a concentração dos
anéis nas porções finais do intestino grosso. Alguns pacientes
podem apresentam uma forma mista de constipação - com componentes
disquésico e de trânsito lento.
Dificilmente
dois pacientes vão ser constipados de uma mesma maneira,
fundamentando a importância do exame para identificar o
tipo de constipação de cada paciente e permitindo o planejamento
adequado do tratamento para cada caso.
Dentre
os pacientes que podem beneficiar-se da realização deste
exame, estão aqueles em que não houve boa resposta ao tratamento
clínico inicial (que inclui orientações dietéticas, aumento
na ingestão de líquidos e atividade física) e quando outras
causas que poderiam explicar o quadro já foram afastadas
(como doenças da tireóide ou alterações no metabolismo do
cálcio ou doença de Chagas).Nestes
casos, costuma ser necessária a complementação da investigação
com outros exames funcionais, como a manometria anorretal.
Casos
em que a constipação recente ou tenha se agravado recentemente,
podem necessitar de investigação endoscópica, com videocolonoscopia.
É importante frisar que a primeira abordagem do paciente
constipado direciona-se à identificação de hábitos dietéticos
e comportamentais e sua correção, através da orientação,
o que pode incluir a abordagem específica e multidisciplinar
do nutricionista. Apenas os casos resistentes ao tratamento
clínico inicial necessitarão de investigação aprofundada,
com o estudo do tempo de trânsito colônico, de eletromanometria
anorretal ou de cinedefecografia.