pHmetria
de 24 Horas
A
pHmetria esofágica de 24 horas avalia o grau de acidez no
interior do esôfago durante o período de 24 horas, tendo
papel importante no diagnóstico da Doença do Refluxo Gastro-Esofágico
(DRGE).
O
estômago produz ácido clorídrico. O ambiente do estômago
é um ambiente ácido que tem dentre suas funções, facilitar
a digestão e proteger o restante do tubo digestivo de agressões
e infecções. A mucosa do estômago é preparada para receber
essa acidez, mas a mucosa do esôfago e da boca não.
A
grande função do esfíncter inferior do esôfago (músculo
que circunda a porção do esôfago na sua junção com o estômago)
além de permitir ao alimento descer ao estômago, é impedir
o retorno (refluxo) do conteúdo ácido. Quando este conteúdo
ácido chega ao esôfago, ambiente neutro, ele fica em um
grau de acidez elevado, que é medida pela pHmetria e, em
graus elevados, caracteriza a DRGE.
Segundo
o Dr. João Bosco Soares Júnior - gastroenterologista e endoscopista
da Clínica do Aparelho Digestivo - um elevado grau de acidez
no esôfago provoca agressões à sua mucosa, podendo causar
dor em queimação no tórax (pirose), dor torácica de origem
não-cardíaca e inflamação do esôfago (esofagite).Quando
o conteúdo ácido do estômago chega às vias aéreas, pode
ocorrer asma, bronquite, tosse crônica e pigarro.
A
DRGE tem sua principal causa em erros alimentares. Conforme
o Dr. João Bosco, a ingestão de alimentos ricos em cafeína
(como café, refrigerantes, chocolate e seus derivados),
carboidratos, alimentos salgados ou condimentados em excesso
(como molhos de pimenta e ketchup) podem aumentar as chances
de refluxo.
Algumas
medicações como bloqueadores de canais de cálcio e nitratos
(utilizados em doenças cardíacas ou no tratamento da hipertensão
arterial), por diminuírem a pressão do esfíncter inferior
do esôfago, podem ocasionar DRGE.
O
hábito de comer muito à noite, dormir de barriga cheia,
fazer poucas e pesadas refeições também aumentam a chance
de desenvolver a doença e suas complicações.
O exame é realizado com a utilização de um cateter fino
que é introduzido pelo nariz até se alojar no esôfago para
a análise da acidez. Esse cateter possui, normalmente, 2
canais, sendo um na extremidade e um a 15, 18, ou 21 centímetros
(de acordo com o tamanho da pessoa). Mede-se a acidez em
dois lugares, quando o paciente apresenta queixas de dores
mais altas como azia e tosse crônica. No esôfago, o pH é
neutro (em torno de 7) e é considerado ácido quando encontra-se
abaixo de 4.
Refluxos
rápidos são normais e diminuem o pH transitoriamente no
esôfago, porém os mais prolongados podem indicar doença,
por manterem o pH baixo por mais tempo no esôfago.
O
exame de pHmetia é realizado durante 24horas. A pessoa permanece
durante esse tempo com o cateter no esôfago e um aparelho
na cintura. A intenção do exame é analisar a pessoa durante
seus hábitos rotineiros. Durante o exame o paciente é orientado
a anotar os horários e o conteúdo das refeições, as horas
de sono e os momentos em que os sintomas aparecem.
Os
momentos em que os sintomas aparecem são comparados aos
momentos que ocorrem variações do pH esofágico, possibilitando
a correlação entre as queixas e os momentos de refluxo.
Quanto mais específicas forem as informações passadas ao
médico, mais preciso será o resultado.
O exame é indolor e causa apenas uma leve sensação de incômodo
na garganta. O paciente é orientado a retomar suas atividades
habituais e a retornar no dia seguinte à introdução do cateter
para que seja retirado e possa ser feita a leitura dos dados
do exame. Em seguida, retoma suas atividades habituais,
não sendo necessária sedação ou acompanhante durante os
momentos de introdução e retirada do cateter.
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